Afinal… O iPad é pra você?

Ontem, onde trabalho, foi levantada uma discussão sobre a real “inovação” do iPad. Tipo… o que o tablet da Apple trouxe de espetacular para a forma como nos comunicamos? Sim, era esta a questão.
Não pude dar a minha opinião naquele momento, mas fiquei com esta questão na mente. Afinal… vale mesmo a pena ter um iPad agora? Se sim, por quê?
Para início de conversa, não, o iPad não trouxe nada de espetacular na forma como nos comunicamos simplesmente porque ele não foi feito para servir como um… digamos, “meio de comunicação”. Acredito eu que a premissa do iPad é outra, que ainda não foi bem definida nem pelos seus usuários, nem pelos desenvolvedores da Apple Store. Vira e mexe vejo gente engasgando quando é feita a pergunta “sim, mas o iPad serve pra quê, finalmente”?
Utilidade do iPad
Inicialmente, o iPad seria um tablet a concorrer com o Kindle, da Amazon, para a leitura de livros e revistas. Porém, após o seu lançamento, vimos que o tablet da Apple é muito mais que um reles leitor de revistas – ainda mais que é facilmente confundido com um iPhone gigantesco. Para mim, o iPad é perfeito para pessoas que precisam de constante acesso a informações mas que não têm a necessidade de um net/notebook para isso, sem contar que a mobilidade do iPad em relação a esses dois é MUITO maior.
E sim, o iPad está evoluindo: já estão sendo cogitadas assinaturas de revistas famosas para serem vendidas na Apple Store. A experiência de um usuário ao ler uma revista trivial é fantástica, se bem aproveitada. Imagine você percorrer as páginas daquela revista que você mais curte e poder assistir vídeos correlacionados ali mesmo. Ou ainda: na matéria, haver também links para matérias/fotos que tenham a ver com o texto.
Outro salto que o iPad deu foi em relação à publicidade. Agora, você pode interagir com os anúncios, tornando o impacto da publicidade muito maior que em uma revista trivial.
Perceberam que até agora eu só falei sobre a utilidade que foi premeditada para ele, correto? Pois bem. Eu já coloquei as mãos em um iPad – e não foi na loja. Posso confirmar para vocês que a experiência como usuário é fantástica: navegação na internet, sensação de liberdade, processamento de aplicativos/jogos e muito mais. É o velho clichê de que “quem tem, está muito satisfeito”. Mas eu não tenho. E nem pretendo ter – ao menos por enquanto.
Ele serve pra você?
Vejamos: você é um usuário que precisa estar em constante acesso a informações: planilhas, arquivos de texto, imagem e som, além de estar conectado à internet com frequência. Além disso, gera conteúdo, mas não quer sair por aí com um notebook debaixo do braço. Gosta de mobilidade e liberdade, e estar presente em redes sociais. Precisa apresentar projetos a clientes, sejam eles gráficos, escritos, whatever. Nos locais onde está, sempre tem acesso Wi-Fi… ou então, você tem pelo menos R$ 2.049,00 para investir em um iPad com acesso 3G (isso sem contar o plano de dados). Se você se encaixa nesse perfil, perfeito, o iPad pode ser pra você.
Mas… você é um heavy-user, faz downloads de conteúdo variado com muita frequência, utiliza muito o potencial da sua máquina, seja para desenvolvimento, seja para design, etc. Ou ainda: você é o contrário, um low-user que só usa o computador para acessar a internet, conversar com os amigos e instalar esse ou aquele programa – ou fazer aquela edição básica de fotos. Aí, sim, vem a pergunta: pra quê você quer um iPad? Eu, sinceramente, não vejo nenhuma necessidade – a não ser, heavy-user, que você seja tão heavy que precise de um complemento para suas atividades.
Sad but true: algumas pessoas que possuem um iPad hoje em dia o possuem por pura moda – na verdade, como todo e qualquer produto que se destaque, seja ele da Apple ou não – e estão confusos sobre como utilizar o tablet. A questão que estou querendo sanar com este post é se é realmente válido você investir no iPad ou não. Se você escolher adquiri-lo, quero que pense nele como uma experiência melhor que um notebook, mas que não o substitui – a depender, é claro, do uso que você faça deste último.
Escolhendo comprá-lo ou não, uma coisa é fato: assim como as primeiras versões do iPhone, o iPad ainda tem muito a evoluir. Muito.
E o futuro do iPad?
Imagine que o seu restaurante predileto disponibilizou um aplicativo na Apple Store – e você, como bom cliente, já fez o download e cadastro no banco de clientes deles.
Daí, você resolve dar uma passada lá para a janta, e no caminho já confere o menu – com a mesma facilidade de estar olhando um menu “real” mesmo, exceto a diferença de poder conferir fotos e reviews sobre os seus pratos prediletos – além do preço, que é o que mais nos interessa, convenhamos. ;)
Escolhendo o que vai pedir, pelo próprio aplicativo você já reserva a sua mesa. Quando você chega no restaurante, simplesmente diz o seu nome de usuário para a recepcionista, que visualiza a sua reserva e te encaminha para a mesa. Lá, baseado nos pratos que você “curtiu” (Facebook feelings), o garçom te oferece aquele prato e mais outros relacionados – te chamando pelo nome. Após algumas rodadas de cerveja e alguns pratos, você resolve verificar em quanto está a sua conta… e pelo próprio iPad você faz isso, pois os seus pedidos são lançados no seu cadastro. Finalmente, você resolve fechar a conta, pagar e ir pra casa, sem brigas, sem dúvidas, e com o histórico do que pediu, para o caso de querer lembrar aquele prato sensacional que você experimentou mas não lembra o nome, pois quando pediu já estava na 15ª cerveja. Sozinho. Beberrão. :P
Fantástico, não? Pois saiba que sim, isso já é possível com o iPad atual, mas quero ver quem tem coragem o suficiente para subir o atendimento ao cliente a este nível. :) E essa é a tendência do iPad: se tornar algo muito além de um smartphone, notebook ou tablet propriamente dito – e firmar isto frente aos seus usuários. Estou bem confiante de que eles coloquem uma câmera numa versão futura – frontal, pelo menos. Nada de usar o iPad para tirar fotos em qualquer lugar, como uma câmera fotográfica. Seria ridículo um “olha o passarinho” com esse gadget em mãos.
Por outro lado, videoconferências online seriam perfeitas. A câmera é uma tendência que praticamente todos os tablets concorrentes já adquiriram, e é bem capaz que o iPad também adquira… mas vai saber o que se passa na cabeça do tio Steve. As outras melhorias futuras ficam por conta do processamento e do enriquecimento da experiência do usuário final, como sempre.
Eu, particularmente, esperaria mais um pouco para ver outras versões com uma premissa mais sólida serem lançadas – e aí sim, talvez adquiriria um. E você? Já tem um iPad? Pretende pegar um ou não? Se tem, acha válido?
Give your 2 cents. :)
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