Infância Nerd: 5 brinquedos que te ajudaram a ser quem você é

Todo nerd marmanjo como este que vos escreve, assim como os nerds atuais, tem suas peculiaridades. Seja a mente extremamente analítica, a curiosidade, o fascínio pela descoberta, o fato é que desde criança já mostramos a que viemos, mesmo sem computadores, celulares e coisas do tipo – como era no meu tempo.
Estou com 26 anos, não sei viver sem smartphones e computadores e sou refém da tecnologia. Prazer. :) Mas… será que se os computadores existissem naquele tempo, minha infância e pré-aborrecência teriam sido tão legais assim? E já que eles não existiam (ao menos, não eram acessíveis), como é que nós, jovens nerds, nos divertíamos naqueles tempos onde os telefones eram pulse e os orelhões ainda eram de ficha?
Vamos conferir alguns brinquedos que toda criança (da minha época) que já nasceu com sangue nerd certamente teve ou quis ter, e que direta ou indiretamente atiçou o nosso interesse por tecnologia, gadgets e computadores. :)
Lousa Mágica

Chamada lá fora de Etch-a-Sketch, esse brinquedo era um dos meus prediletos e até hoje me deixa intrigado. Basicamente, constava desses dois botões aí: um para controle vertical e outro para horizontal, onde era possível fazer desenhos utilizando apenas estes dois eixos. Lembro que meu primo fazia desenhos de casas, cavalos, etc. enquanto eu sequer conseguia fazer um quadrado direito.
Mas o que me intrigava de verdade não era nem os desenhos, e sim o que fazia eles aparecerem na tela. E para apagar as nossas “criações”, então? Bastava chacoalhar a lousa e o desenho magicamente sumia.
Este brinquedo está na minha lista de dissecação até hoje – aquela lista de brinquedos que eu queria abrir só pra ver como funcionava. :)
É impressão minha ou todo mundo está trocando ele pelo iPad agora? ;)
Scotland Yard

Um jogo não tão old assim, mas também um dos meus prediletos. Lembro que um amigo me chamou pra jogar Scotland Yard na casa dele e eu me apaixonei pelo jogo. O fato de encarar um detetive (no caso, Sherlock Holmes) e desvendar os casos de uma forma não aleatória era bem legal, ainda mais que ele mexia com lógica, percepção e malícia – alguém falou em qualidades nerds aí? :D
Outra coisa engraçada: eu simplesmente virei FÃ do Sherlock, na época. O cara era o Chuck Norris das investigações, e desvendava mistérios apenas olhando os sapatos de alguém, por exemplo (como em um caso onde ele verifica que o homem correu pelo parque e fugiu de alguém, algo assim, só pela grama que estava no sapato do fugitivo!
)
Genius

CLÁSSICO. Eu infelizmente não tive um desses, mas era um dos meus “objetos de desejo” de infância. Quem nunca jogou este famoso game onde você deve memorizar uma sequência de cores/sons que vão aumentando a cada rodada, sem errar nenhuma parte? Sim, não precisa nem dizer que as coisas iam se tornando cada vez mais difíceis a cada turno.
O resultado desse brinquedo? Nada como uma memória associativa excelente. Talvez, se eu tivesse um desses quando pequeno, deixaria de esquecer onde coloquei a chave do carro, por exemplo, quando ela na verdade está… em minha mão. :@
Como não pude ter um Genius na infância, baixei um aplicativo para Android que tem exatamente a mesma função, mas infelizmente meu Milestone está louco, e não dá pra jogar mais… por enquanto: já tem um Galaxy S novinho em folha a caminho, aí mato a saudade. ho ho ho ;)
P.S. A sequência máxima que consegui chegar foi 19 turnos (sem hacks), se não me engano. E vocês?
Lego

Não sei se era só eu, mas eu tinha uma mania tremenda de imaginar coisas além do óbvio quando era criança. Pense nisso como se eu vivesse num Fantástico Mundo de Bob desde aquele tempo e, confesso, até hoje – meus amigos que o digam. Sendo assim, criava o meu mundo e inventava objetos novos em minha mente… até ganhar um Lego.
Sinceramente, quando o meu filho nascer (antes, deixa primeiro eu arranjar uma mãe pra ele, sua linda), este vai ser um presente que certamente ele terá. É o tipo de brinquedo onde a diversão é criação sua – literalmente. Você cria, destrói, interage… sem falar nos benefícios para mente, etc, etc e etc.
Ganhei certa vez um conjunto de um aeroporto, onde você montava alguns aviões. Veio faltando uma peça e eu só descobri isso quando meu avião estava quase pronto… todos chora. Mas deu pra fazer uma gambiarra lá e meu avião ficou bem legal – só não podia deixar ele aterrissar com muita força no chão, senão… :D
Montar computadores hoje é o meu novo Lego, mesmo não sendo este o meu trabalho “oficial”. Aliás, não só computadores: tenho uma facilidade tremenda para desmembrar e reconstruir objetos, como mesas, cadeiras, celulares e controles-remoto. :)
Atari

Toda lista de gadgets/brinquedos dos anos 80 pra cá que se preze PRECISA incluir este que foi praticamente o “pai” de nossos XBOX’es e Playstation’s 3 da vida, e não é à toa.
O Atari foi febre total naquela época, e reinava absoluto num tempo onde não tinha como decidir entre gráficos ou qual botão fazia que função: o Atari era pura diversão, mesmo com o seu botão único e controle de 2 eixos. Todo mundo já ouviu falar de Enduro, River Raid, Keystone Keapers (o famoso jogo do polícia e ladrão), Maze Craze (Labirinto Maluco), Boxing, Space Invaders e claro: Pacman.
O Atari conseguiu implantar uma nostalgia boa para quem o tinha naquele tempo, onde seus amigos traziam “fitas” (cartuchos) com algum jogo novo e vocês passavam altas horas jogando aqueles games sem fim, onde o score de 9 dígitos era o limite. E quem se recorda daquela chave seletora, com uma alavanca TV/Game? E sua mãe pedindo pra assistir a novela ou para tirar o videogame de lá, porque “estragava a televisão”? Ah… e quando você ligava a televisão no canal 3 e via o que o seu vizinho estava jogando, porque o sinal era transmitido para sua antena? :D
Que tempo bom. E falando nisso tudo, em todos esses brinquedos antigos e como eles ajudaram em nossa formação, sabe o que chega a ser irônico?
É que nós não mudamos quase nada. Continuamos em busca de novos “brinquedos”, novos jogos que precisam de lógica e cálculo, ainda que imperceptivelmente (hello, Angry Birds), novos gagdets para nos perguntamos “mas como é que isso funciona?”, e por aí vai. Camões que me perdoe, mas nada de “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.
Para finalizar, deixo vocês como uma frase que infelizmente não consegui achar o autor:
Crianças nós somos a vida toda, o que muda são os preços dos brinquedos.
Fato. E entre gadgets, smartphones, consoles e redes sociais, continuamos criando o nosso mundo e achando que somos cada vez mais “adultos”… quando tudo, no fundo no fundo, não passa de uma grande e deliciosa brincadeira.
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